
Em homenagem aos 2 anos de papado e ás vésperas da visita de Bento XVI ao Brasil convido vocês a, nas próximas 5 semanas, refletirem alguns pontos marcantes de seu pontificado . Para isso eu pegarei algumas palavras-chave faladas em alguns de seus discursos e que foram sugeridas na revista Passos do Mês de Abril. Ao fim de cada citação eu coloco o link no site do vaticano para o texto na íntegra.
“Apresenta-se confiante e auto-suficiente artífice do próprio destino, fabricante entusiasta de indiscutíveis sucessos, este homem do vigésimo primeiro século. (...) Como não pensar que mesmo no fundo desta humanidade satisfeita e desesperada, levanta-se um clamor aflitivo de ajuda? Não obstante as numerosas formas de progresso, o ser humano permaneceu igual ao de sempre: uma liberdade dividida entre bem e mal, entre vida e morte. É precisamente ali, no seu íntimo, naquilo que a Bíblia chama de "coração", donde ele tem sempre necessidade de ser "salvo". E, talvez, na época atual pós-moderna, tem ainda mais necessidade de um Salvador, porque a sociedade em que vive tornou-se ainda mais complexa, e mais enganosas tornaram-se as ameaças para a sua integridade pessoal e moral.”
Mensagem Urbi et Orbi, 25 de dezembro de 2007
“No coração de cada homem existe, meus amigos, o desejo de uma casa. Ainda mais num coração jovem, há o grande anseio pela própria casa, que seja sólida, aonde não só se possa voltar com alegria, mas também onde com júbilo se possa receber cada hóspede que chegar. É a saudade de uma casa em que o pão quotidiano seja o amor, o perdão, a necessidade de compreensão, em que a verdade seja a fonte da qual brota a paz do coração. É a nostalgia de uma casa da qual se possa sentir orgulho, de que não se deva envergonhar e cujo desmoronamento nunca seja preciso chorar.Esta saudade não é senão o desejo de uma vida plena, feliz, bem sucedida. Não tenhais medo desta aspiração. Não a rejeiteis! Não desanimeis ao ver casas desabadas, desejos malogrados, saudades dissipadas. Deus Criador, que infunde num jovem coração o imenso desejo da felicidade, jamais o abandona na cansativa construção daquela casa que se chama vida.”
Encontro com os Jovens na Polônia, 27 de maio de 2006
No natal passado Bento XVI chama atenção ao conceito bíblico da palavra “Coração”. Sem entender este conceito é impossível entender o grande drama que passa a Igreja de hoje. O Coração é este desejo de bem, desejo de justiça, desejo de plenitude que nós temos. E é disso que temos a necessidade: A Necessidade de um Salvador, de alguém que venha atender a este nosso desejo de felicidade. E é isso que Bento XVI tem chamado a nossa atenção com essas colocações. Será que temos compreendido ou sequer sentiddo esta necessidade? Esta necessidade desse Salvador ou será que temos esquecido no nosso dia a dia este desejo?
Eu particularmente quase sempre deixo o desejo de lado e Cristo para mim perigosamente se torna uma palavra que aprendi na Igreja ou simplesmente alguém com idéias e colocações fantásticas. Mas é aí que Bento XVI e tantos outros vêem me chamar atenção afirmando que para entender Cristo eu antes de tudo tenho que colocar o problema humano. E qual é esse problema humano? É justamente este desejo de infinito que todos temos dentro de nós. Só assim podemos entender que temos esta necessidade de Cristo. Só assim a sociedade pode se dar conta da necessidade que ela tem de um Outro. De ser amada, abraçada, como eu fui e sempre sou chamado a retomar.
É curioso notar que olhando para o conceito de coração, me dando conta dessa necessidade, me deparo com uma realidade dura, mas que não deixa de ser interessante. Porque é a realidade aquilo que eu vivo e meu desejo nasce de encontrar algo que valha a pena dentro dela. Quero encontrar Cristo onde eu trabalho. Tenho sim a necessidade desse salvador e daí peço, rezo a Ele para que se revele aqui, no meu relacionamento com os colegas, nas atividades, em todas as 8 horas de trabalho. E tudo isso nasce dessas palavras do Papa que me convida a retomar o desejo que tenho, a retomar o meu Coração.
Que as palavras de Bento XVI nos acordem em nossa realidade e reacenda o nosso desejo de uma vida plena.
Grande abraço.




