31.10.07


A Importância da Oração


Amigos,

Mantendo o compromisso de publicar nesse espaço virtual pensamento e reflexões para o aproveitamento de todos na caminhada pessoal e na vida comunitária, segue abaixo mais um trecho do livro Transfiguração do Inácio Larrañaga.

Por meio das palavras desse sábio religioso, espero que todos possam refletir sobre a importância de Deus em nossas vidas e das formas que temos para não deixar esse Amor “morrer” em nossos corações.

Conforme prometido no Círculo Bíblico Deus Conosco do último sábado.
Abraços e PAZ

“É um círculo vicioso.
Quanto menos se reza, menos vontade se tem de rezar.
Quanto menos vontade de rezar, menos se reza.
Quanto menos se reza, Deus começa a afastar-se.
Não que Deus se afaste, mas a sensação perceptiva que temos é que Deus é “menos” Deus em mim, como que se tornou alguém distante, quase inexistente.

À medida que isto ocorre, há menos vontade de estar com ele. Quanto menos estamos com Deus, ele mesmo é menos presença em mim.

E aqui e agora surge o seguinte fenômeno: à medida que Deus é “menos” Deus, eu sou mais “eu” em mim, para mim, aumentando o amor próprio, ou seja, tornam-se mais presentes em mim os aspectos negativos do “homem velho”, os mil filhos do “eu” – vaidade, busca de si mesmo, ressentimento, lacunas afetivas, rivalidades, tristezas, manias de grandeza, necessidade de auto-compaixão, mendigar consolo...

Em outras palavras: o vazio de Deus vai deixando em mim, instintivamente tento recolocá-lo, pela via da compensação, com as satisfações do “eu”. Como conseqüência, aparecem, em minha relação com os outros, armadilhas, discórdias, invejas, desconfianças, inimizades, que também são filhas do “eu”.

Na medida que isto ocorre, naturalmente não há vontade de estar perto de Deus; a oração já não tem sentido porque temos a impressão de estarmos soltando palavras no vazio, de não termos interlocutor; em suma: não sabemos o que fazer com Deus.

Para este momento, tudo vai se decantando: morto o sentido de Deus, morre o sentido de Deus, morre a alegria de viver, chegando-se até a perder o encanto pela vida. Estamos no fundo do poço.”

(Cap. 8 – No Fundo do Poço, do livro “Transfiguração” de Inácio Larranãga – Ed. Paulinas)

23.10.07





Tropa de Elite

Quando me convidaram para participar do Blog da PJ eu propus que iria sempre colocar as coisas do cotidiano que me impressionam e que me provocam e ter um juízo da nossa experiência sobre elas.

Por isso, desde que vi o filme "Tropa de Elite", tenho me sentido provocado a escrever algo aqui. Acima de tudo porque fiquei pensando naquelas cenas, pensando que, por maior que pudesse ser a ficção, aquilo era inspirado na nossa realidade carioca.

E que, ao sair do cinema, ao escutar amigos, ao ler o que a mídia diz questiono muitos dos juízos que tem saído desse filme, e ao receber um palfleto do Centro Cutural Fato & Presença, resolvi postá-lo. É um juízo muito mais claro do que qualquer coisa que eu pudesse contribuir aqui.

Realidade ou Ficção?

O filme que está na boca do povo gera em nós uma pergunta: afinal, Tropa de Elite nos apresenta a realidade ou se trata da mais pura ficção? Propor uma resposta a esse questionamento e aos sentimentos paradoxais gerados no público é, antes de tudo, uma caridade.

Enquanto realidade, vivemos numa metrópole sitiada pela violência: ora dos marginais, ora da polícia; ou melhor, essa violência não se alterna, porque elas se dão numa relação de complementaridade. Mas a realidade não é o que se apresenta em Tropa de Elite. Ela é muito mais! Portanto, a obra é uma ficção. Porém, enquanto ficção, ela só pode surgir da realidade. Adélia Prado já nos iluminou quando afirmara que o poeta que ampliamos para todo e qualquer artista – só tem a realidade para, a partir, dela criar.

Uma coisa é certa: Tropa de Elite nos faz tremer! Porque o filme nos coloca dentro da guerra que muitas vezes ouvimos de nossas casas. Numa guerra, é matar ou morrer. É como se, naquele contexto, não houvesse espaço para a positividade, para a verdade, para a justiça, para a felicidade – todos esses são desejos humanos inextirpáveis aos quais nenhuma violência pode ser resposta.

A genialidade do roteiro, entretanto, não está nas cenas que ridicularizam uma polícia que é refém da falta de uma política de segurança que proteja o cidadão. É doloroso ouvir as risadas da platéia que parece não perceber o drama do qual ela mesma é parte. A genialidade que nos faz passar horas tentando clarificar o que está sendo revelado ali também não está nas cenas de tortura – marginal ou policial, não faz diferença – que nos leva da náusea à perplexidade: onde se esconde o humano que existe nessas pessoas-personagens classificadas como humanas?

A genialidade está, certamente, no chamado de atenção, consciente ou não, de uma emergência educativa. Portanto, a genialidade está na opção por colocar o enredo se desenvolvendo a partir de um espaço universitário – terminalidade da ação educativa institucionalizada. Dessa maneira, sutilmente, o roteiro nos revela a absoluta falta de uma proposta educativa totalizante para toda e qualquer pessoa.

Muito ou pouco, na ficção ou na realidade, cada pessoa-personagem, nasce de uma mãe, teve ou tem um pai. Durante toda a sua existência, mesmo que tenha nascido e crescido na rua, como muitas das crianças que vemos pelas calçadas da vida, acontece uma trama de encontros, muitas vezes inexplicáveis, na vida de cada um. Hoje o acesso à escola básica é universal e aumenta cada vez mais o número de pessoas que chegam à universidade. Por que, então, não raro, sentimos falta de crianças, jovens e, principalmente, de adultos educados? Simplesmente porque não existe, em nenhum dos níveis educativos, uma proposta, uma hipótese unitária que eduque o coração da pessoa.

Coração, aqui, não é entendido, apenas, como lugar do sentimento ou do afeto, mas, sobretudo, o coração é uma abertura de olhar à totalidade do real. O coração de que falamos é o centro do humano; o motor da vida. Nem as famílias (aliás, que famílias?) nem as diferentes instâncias educativas da sociedade organizada (escolas, universidades) educam a essa abertura. Mas o coração do homem, que é desejo de Infinito, continua ali a gritar por um sentido, por um significado capaz de preencher a falta que, estruturalmente, a pessoa carrega consigo.

“De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se, depois, perde a si mesmo?” No fundo, essa é a pergunta que, por exemplo, o capitão Nascimento, inconscientemente, se coloca diante da beleza que se impõe – o nascimento de uma criança; de seu filho. A mesma pergunta não se faz o marginal Baiano ao abraçar o filho antes da tentativa de fuga. Tentativa essa de adiar, por um tempo fugaz, o seu assassinato inevitável. Pergunta que também não se faz nenhum dos jovens bem nascidos que marcham pela paz a partir da universidade, após o assassinato, igualmente inevitável, daqueles que tinham “consciência social”.

Pergunta essa através da qual os adultos, dos quais a infância e a juventude tanto carecem,– conforme testemunhou um jovem de 16 anos, estudante de um colégio de classe média do Rio de Janeiro –, precisam se deixar provocar e enfrentar até o fundo. Do contrário, a pergunta do capitão Nascimento continuará ressoando em nossos ouvidos: “Quantas crianças e jovens terão de morrer para você continuar a fumar a sua maconha?”

Isso pode abrir uma outra discussão que é a da descriminalização das drogas. Principalmente, após as revelações que uma pesquisa científica nos faz acerca dos “benefícios terapêuticos da maconha”. Mas esse não é o problema! O problema é enfrentar a pergunta: O que, enfim, pode preencher o coração do homem? Sem uma proposta educativa que tenha essa questão como ponto fundante, podemos organizar o bloco e colocá-lo na rua cantando: “Tropa de Elite/ Osso duro de roer/ Pega um, pega geral/ Também vai pegar você!”

Centro Cultural Fato & Presença

18.10.07

Um certo Alguém

Quando paro pra pensar na vida muitas coisas vem na minha mente, namorada, faculdade, família, igreja, EAC, retiro, amigos, vôlei, etc. O que isso tudo tem em comum? Adoro todas essas coisas mencionadas e cada uma delas me faz feliz de um jeito diferente, cada parte dessa tem uma forma especial de se manifestar na minha vida e todos elas são tão importantes. Mas essas coisas todo mundo tem, porque eu vejo isso como algo tão importante? E lá se vai horas do meu dia pensando nisso.


Não sei se todo mundo tem esse pensamento, mas sei que todo mundo já se perguntou isso um dia. Um dia escutei uma musica chamada “um certo alguém – Lulu Santos” eu adoro Lulu Santos, e fiquei viajando nessa música. Quando acabei de escutar a música uma única parte me vinha a todo momento na cabeça “quando um certo alguém cruzou o meu caminho e mudou a direção..”.

Nós da paróquia Imaculada Conceição do Recreio tivemos a alguns dias um dos melhores EAC que já fizemos, eu fiquei muito feliz com as pessoas que encontrei, as amizades que reforcei e da forma que Cristo tocou novamente o meu coração. As pessoas podem dizer que já foram tocadas, mas acreditem nós precisamos ser tocados a todo o momento, já tenho alguns anos na igreja e uma coisa que percebi nesses anos é que precisamos constantemente ter Jesus no coração. Pode ser uma coisa fácil para uns mas para outros como eu não é tão simples assim. Muitas coisas me fazem sair do caminho e preciso sempre me manter vigilante para não sair muito do “percurso”.

É engraçado as formas que Deus se revela para nós, pode ser numa palestra (seja dando ou ouvindo), numa conversa com amigos, no ônibus indo pra faculdade, num abraço com irmão, numa adoração na capela, na convivência do namoro, na igreja ou até mesmo numa partida de vôlei. Percebo hoje que as coisas que mais me agradam nessa vida são assim porque Deus se faz presente em todas elas, e finalmente consegui entender o que todas aquelas coisas tinham em comum. Seguir a Cristo não é fácil, mas quando temos pessoas nos incentivando e nos dando forças naquele momento em que mais precisamos as coisas se tornam alcançáveis.

Espero que vocês entendam o que quero dizer aqui, senão quando um certo Alguém cruzar o seu caminho e mudar a direção vocês irão entender.

16.10.07




O que Jesus faria em meu lugar?


Amigos,

Segue abaixo reflexão maravilhosa do religioso Inácio Larrañaga sobre a necessidade de recorrer ao exemplo de Jesus nos momentos de dificuldade.

Espero que este pequeno texto possa tocar os corações.

Abraços e PAZ DE CRISTO


***

O que Jesus faria em meu lugar?

Quando eu me encontrar com pessoas agressivas, deixarei de lado minhas velhas e amargas histórias com essas pessoas, e direi a mim mesmo: “Meus olhos, neste momento, são os olhos de Jesus” e olharei essas pessoas com os olhos de benevolência de Jesus.

Se as ondas da contradição me envolverem, direi a mim mesmo: neste momento eu já não sou eu, é Jesus quem vive e age em mim e neste duro conforto vou reagir com Jesus, com sua serenidade, controle e disposição de ânimo.

Quando, de surpresa, lançarem contra mim palavras ofensivas, primeiramente não me assustarei de minha própria perturbação; em seguida imaginarei Jesus diante de seus ferozes inimigos e tentarei me controlar e calar como Jesus calava, respondendo com palavras serenas como Jesus responderia.

Se eu souber que fui traído pelas costas, em primeiro lugar direi: “Deus meu, acalma esta tempestade interior”. A seguir, deixarei transcorrer um tempo razoável para que se acalme perturbação. Logo colocarei diante dos olhos de minha alma a figura de Jesus manso e humilde, silencioso ante os juízes, delicado ante o traidor, e direi: “Jesus, entra dentro de mim e perdoa dentro de meu coração”, e tratarei de devolver o bem em troca do mal, como fez Jesus.

(Inácio LARRAÑAGA, Transfiguração. Ed. Paulinas. pp. 33-34)

8.10.07



A Fé e o Próximo


Amigos,

Revigorado na caminhada pelo Amor presente em abundância nos últimos tempos de nossa vida comunidade (aniversários, encontros, reuniões, círculos, conversas, ...), encontro-me contente por notar quão importante e especial é a fé.

Inspirado pela maravilhosa missa dominical que participei na noite de ontem, resolvi compartilhar neste espaço a reflexão proposta pelo Papa Bento XVI durante a sua estada no Brasil.

“Ainda podemos fazer outra pergunta: O que nos dá a fé nesse Deus? A primeira resposta é: nos dá uma família, a família universal de Deus na Igreja Católica. A fé nos liberta do isolamento do eu, porque nos leva à comunhão: o encontro com Deus é, em si mesmo e como tal, encontro com os irmãos, um ato de convocação, de unificação, de responsabilidade para com o outro e para com os demais. Nesse sentido, a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com sua pobreza.”

(Papa Bento XVI na Abertura da Conferência da CELAM em Aparecida, 2007)


Quando consigo notar que viver em comunidade é muito melhor do que viver isolado, posso sentir o amor de Deus me abraçando e me convidando a levantar, assim como a fazer o mesmo pelo próximo.

Espero que as minhas amizades sejam estreitadas; as eventuais barreiras superadas; as dores dissipadas; e os novos laços e desafios sejam encarados com a alegria de uma criança. Desse modo, seremos mais próximos de Deus, melhores e felizes!

Beijos, abraços e Paz de Cristo a todos!