Ja que a vida vale tanto... para quê uma segunda?
Uma polêmica reflexão a respeito do game on-line Second Life.
Esta semana um amigo meu me provocou sobre um artigo que saiu no Globo On sobre 6 universidades em SP estarem se lançando no Second Life - Game em 3D online que simula uma realidade virtual. Somando isso ao artigo escrito pelo Gus e por um artigo sobre o jogo na Revista Passos, refleti sobre o assunto e resolvi digitar algumas palavras.Atualmente são 600 mil brasileiros que tem seus avatares (personagens) presentes no jogo. E a tendência é que cada vez mais esse número aumente. No mundo são 8 milhões de cadastrados que participam dessa simulação.

O jogo em si não tem um objetivo definido, nem missões ou um rumo fixo que deva ser seguido. Ele apenas é um local e você, com seu avatar, vai vivendo e se relacionando com as pessoas. De fato é uma segunda vida, como se afirma na descrição: "Em Second Life você pode ser o que realmente sempre quis desde um simples cidadão a um astro de cinema ou do Rock. No universo paralelo de Second Life a sua imaginação é o verdadeiro limite!"
Para isso basta entrar no jogo, criar seu avatar, e vivenciar aquela situação. Você não pode sair construindo uma casa em qualquer terreno, pois eles são privados. Precisa de dinheiro, os Lidden Dollars que podem inclusive serem convertidos em dinheiro real. Cada 1 Real valem aproximadamente L$ 129,85. Existe também a possibilidade de criar coisas desde acessórios para os personagens até texturas de pele em 3D e vender pelo local. Além disso você pode interagir com outros avatares, em ambitos sociais e até mesmo ter a sorte no amor virtual.
Várias empresas, de olho nessa proposta começaram a colocar suas lojas no Second Life, como a Wolkswagen e a Reuters. E com isso arrajaram uma nova forma de ganhar mais dinheiros vendendo suas notícias, seus carros virtuais e convertendo seus Lidden Dollars em Dólares reais.E nesta realidade virtual se pode ter competições sociais, economicas, enfim, as coisas que se passam na vida real. E depois de toda essa propaganda eu pergunto: Pra quê gastar horas do dia fazendo isso ?
O Second Life é mais um dos famosos casos de não querer olhar a realidade e aprender com ela, gerando a necessidade de criar um espaço virtual onde aí eu possa ter a vida como eu gostaria que ela fosse. Mas aquele avatar bonitão, com um mega estúdio de animação montado num terreno em frente a praia de Copacabana Virtual e namorando uma super modelo da Ford não sou eu. É mais uma vez o desejo do homem de querer controlar a própria realidade.
É uma forma de amenizar o nosso drama de não sermos os donos de nós mesmos. De mais uma vez desviar a idéia de que temos os nossos destinos nas mãos de alguém muito maior do que as aparências da realidade.
No caso das universidades, eu respondi ao meu amigo que o interessante dessa proposta é que seria realmente interessante eu poder assistir uma palestra da PUC-SP no second life e poder comentar com um avatar que está em Manaus o resultado dessa palestra; que seria interessante promover as conversas acadêmicas de corredor.
Mas tem um porém: aquela pessoa com quem estou conversando não existe. Ela é um avatar, uma forma que alguém em Manaus gostaria de ter assim como eu que para ela não existo, sou uma representação do que eu queria ser. Com isso reduzimos a universidade a uma mera troca de informações acadêmicas. Coisa que não interessa na nossa proposta de vida. A mim na universidade gosto de conhecer pessoas, saber como elas vivem aquele aspecto da vida, como elas entendem aquela matéria aplicada na vida delas... Por isso achei a iniciativa nobre e muito legal, mas lançada num contexto infeliz que só tende a fazer crescer o individualismo e o egoísmo.

Concluindo, considero esta nova realidade virtual algo realmente distante da proposta que encontramos, a proposta que nossas vidas são acompanhadas e abraçadas por Cristo e que, pelo Espiríto Santo nos inspira a olhar as nossas vidas de uma outra forma, e vivenciar os nossos relacionamentos de forma cada vez mais verdadeira.
Claro que ninguém vai pro inferno por jogar Second Life, mas fica aqui uma reflexão. Se é importante nossa vida, seria justo leva-la em consideração. Então usemos nosso tempo de forma produtiva! de forma mais verdadeira. Será que é justo então gastar horas em realidades virtuais, criando outros mundos nos iludindo sermos o que não somos?
Fica para vocês a pergunta! Grande Abraço!

