15.5.07

Ônibus Sete, Shoenstatt e o Santo Brasileiro



Desde o início da viagem, tinha certeza que não faltariam frases belas e momentos alegres. Esta convicção inicial foi concretizada e aumentada ao longo dos dois dias desta viagem inesquecível. Como não lembrar das câmeras nos seguindo, reproduzindo a nossa animação ao mundo (quase como animais em extinção ou, no mínimo, exóticos) e, ao mesmo tempo, das nossas câmeras digitais em punho, sedentas para eternizar os momentos mágicos da estada do papa em nosso meio. Para mim, o ponto central desta viagem foi reiterar a importância da vida em comunidade.

Se fosse chamado a sintetizar a alegria vivida por mim nestes intensos dois dias em São Paulo em apenas uma expressão, não falaria nada senão “ÔNIBUS SETE”.
É engraçado falar isso... Mas é verdade! Em inúmeros momentos (conversas, piadas, músicas, reflexões, sonos,...) com os membros do “meu” ônibus 7, tive a oportunidade de concluir a maravilha da Igreja. Como povo pecador que busca a santidade em comum e quer se aproximar de Cristo, fomos todos ao encontro do nosso pastor na terra, o nosso Pedro contemporâneo, o nosso Bento.
Poderíamos ter caminhado em pequenos grupos, congregados em nossas comunidades e amizades prévias. Todavia, a abertura de coração nos propiciou um ambiente acolhedor, que desprezou quaisquer diferenças! Permanecemos juntos até o fim e pudemos, deste modo, fazer intensa experiência de comunidade, compartilhando as alegrias e os momentos estressantes (“Cadê o ônibus?”, rs...). Se tivéssemos agido de forma diferente, nunca teríamos jogado vôlei no Campo de Marte, conversado com os PMs de São Paulo, cantado 50 vezes o refrão de “Cidade Maravilhosa”, berrado milhões de vezes “siete, solamente siete”.

Outro ponto de destaque foi a presença marcante do movimento de Shoenstatt na visita do Papa. Muitos de nós conhecemos a imagem de Nossa Senhora de Shoenstatt, a peregrina três vezes admirável, especialmente devido ao santuário de Vargem Pequena que sempre nos acolhe. Este grupo de jovens e religiosas encantou a todos, servindo de bastião do amor mariano. Quem não viu alguém de blusa amarela, com a imagem peregrina nas mãos cantando “Papa Bento, Shoenstatt te ama!”.
Fiquei muito feliz por esta grata surpresa, uma vez que demonstrou, mais uma vez, como a Igreja é plural e rica, apresentando espaço para que qualquer perfil seja acolhido e desenvolva a sua caminhada pautada no verdadeiro Amor! Viva Nossa Senhora de Shoenstatt!

O terceiro componente do meu título é o nosso santo brasileiro, Santo Antonio de Sant’Anna Galvão, homem este que tive a oportunidade de presenciar sendo elevado ao rol de santos pelo Papa Bento XVI, junto à multidão de 1,2 milhão de pessoas, na última sexta.
Poucos conhecem os feitos deste novo santo, que desenvolveu as suas obras na paz e na caridade. É claro que há inúmeros feitos memoráveis deste santo franciscano paulista. Mas o mais interessante desta canonização é o chamado de santidade feito a cada um de nós, que ressoa da forma clara e viva para os católicos, em especial para os jovens. Não é preciso curar doentes ou ressuscitar pessoas para ser santo. Santo Frei Galvão nos ensina que basta viver a fé a cada dia, buscando não desviar do Amor, para alcançar a santidade.
Lembro com especial afeto da enorme faixa que estampou o gramado do Pacaembu no final do encontro dos jovens com o Papa, que dizia que basta cada um ser mais de Deus para que o mundo se transforme em uma terra de paz e amor, sem violência.

Por fim, desejo a todos a mesma Paz de Cristo que senti ao longo da visita do Papa ao Brasil! Como é bom ouvir da boca de muitos que a sua fé foi renovada pela presença do nosso Pastor ao Brasil! Que reproduzamos em nossa comunidade paroquial o mesmo carinho que me fez berrar como muito amor “ONIBUS SETE”! Sete! Siete! Siete! Ônibus sete!


Abraços e PAZ DE CRISTO!


Sede Santo 2007 chegando! Dia 20 de maio, a partir das 13h30 no Colégio Ressurreição! Qualquer dúvida, escreva para sedesanto@gmail.com

4.5.07




"Trata-se de um alargamento do nosso conceito de razão e do seu uso. Porque, juntamente com toda a alegria face às possibilidades do homem, vemos também as ameaças que resultam destas mesmas possibilidades e devemos perguntar-nos como poderemos dominá-las. Consegui-lo-emos apenas se razão e fé voltarem a estar unidas duma forma nova; se superarmos a limitação autodecretada da razão ao que é verificável na experiência, e lhe abrirmos de novo toda a sua amplitude.(...)Ora, desde há muito tempo que o ocidente vive ameaçado por esta aversão contra as questões fundamentais da sua razão, mas o único resultado seria sofrer um grande dano. A coragem de abrir-se à vastidão da razão, e não a rejeição da sua grandeza – tal é o programa pelo qual uma teologia comprometida na reflexão sobre a fé bíblica entra no debate do tempo atual.«Não agir segundo razão, não agir com o logos, é contrário à natureza de Deus»(...)É a este grande logos, a esta vastidão da razão que convidamos os nossos interlocutores no diálogo das culturas. Reencontrá-la nós mesmos sempre de novo, é a grande tarefa da universidade."
Aula Magna na universidade de Regensburg*, 12 de setembro de 2006

Mais uma vez um Papa da Igreja vem chamar a atenção sobre a questão da razão ligada a fé. E Bento XVI vem nos chamar a atenção à nossa cegueira em relação ao uso redutivo desta palavra. Dizemos geralmente que razão é aquilo que se pode provar (cientificismo). E por isso muitos de nós até caímos no discurso que “razão” e “fé” são duas coisas distintas.

E o que somos? Somos muito mais que isso. Temos tantas dimensões que seria muito pouco falar que só algumas são razoáveis. Poderia você provar cientificamente que ama sua mãe? E alguém iria dizer que não é razoável dizer que ama a mãe porque não pode provar cientificamente?

Estamos cegos a essa riqueza toda. Por isso somos convidados então a alargar a nossa razão. E como fazer isso? Justamente se a juntarmos novamente a nossa fé. Porque a adesão total a Cristo abre nossos olhos a realidade em todos os seus aspectos. Por isso estamos juntos: para educar a nossa razão a um alargamento de seu conceito pleno e total e assim conseguir enxergar a nossa vida de uma forma muito mais bela e profunda. Por isso dizemos que aderir a Cristo é razoável ao homem: Porque na busca pela felicidade ele encontra ali a possibilidade de encontrar o que ele tanto busca: O sentido da vida.

Convido vocês a olharem a sua experiência e a verificar o quão razoáveis são essas palavras.

Grande Abraço

*O discurso citado foi aquele que a mídia fez um grande alarde e causou problemas com o mundo Islâmico. Indico a leitura toda do discurso para aqueles que buscam esclarecimento e ver que a crítica não foi ao Islã e sim a um método de conversão que não era justo.

2.5.07





Sede Santo III


Entre os dias 9 e 13 de maio deste ano os católicos do Brasil terão a oportunidade de vivenciar dois fatos inéditos e históricos: a visita do Papa Bento XVI ao país e a proclamação do primeiro Santo nascido em território brasileiro. O Frei Galvão será canonizado no dia 11 de maio, que ficará marcado para a comunidade civil como um possível novo feriado nacional e será eternamente celebrado pela comunidade eclesiástica como o dia em que mais um beato foi santificado, tornando-se esperança para toda a Igreja.

Muitas vezes nos questionamos se a vida santa, proposta pelo catolicismo, é realmente alcançável. Para responder a essa pergunta, devemos, primeiramente, lembrar que todos os Santos reconhecidos pela Igreja Católica, como o Frei Galvão, por exemplo, iniciaram suas caminhadas na religião católica exatamente como nós: servos de Deus. Com o objetivo de nos aproximarmos deste ideal e reacendermos a chama da fé, nós, jovens, vamos nos unir mais uma vez sob o amor de Deus, no próximo dia 20 de abril, para um grande evento de evangelização: o Sede Santo.

Já sabemos que o Sede Santo tem como objetivo evangelizar não apenas os jovens que estão fora da Igreja, mas principalmente nós, que estamos do lado de cá do evento e nos esforçamos para mostrar a felicidade de Cristo às outras pessoas. O nome do evento faz um convite a toda a juventude de nossa paróquia: levar uma vida de comunhão e participação com a Igreja Católica. É por meio de trabalhos pastorais que exercitamos nossa conversão diária, servimos de Igreja para outras pessoas e damos mais um passo em direção à santidade. Por isso, antes de ser encarado como um evento, o Sede Santo deve ser recebido como um verdadeiro modelo de vida. Porém, em seguida, duas perguntas vêm à tona: Como e por que alcançar a santidade?

Em várias passagens, a Bíblia nos fala da importância de perseguirmos a vida santa. No Antigo Testamento, Deus mandou Moisés dizer ao seu povo: “Sede Santos, pois eu, o senhor vosso Deus, sou santo.” (Lv 19). Sabemos que Deus nos criou a sua imagem e semelhança, por isso seria razoável pensarmos que, já que Ele é santo, nós também podemos ser. No Novo Testamento, Jesus propõe diversas vezes que sintamos amor ao invés de ódio, felicidade plena ao invés do prazer fugaz. O que seria isso senão a santidade? Em resumo, podemos dizer que a vida santa é toda aquela que é vivida sob os mandamentos de Deus e a Ele dedicada. A santidade não é inalcançável, mas, sem dúvida, exige uma eterna conversão.

A recente canonização do Frei Galvão é um foco de esperança para toda a Igreja Católica, pois prova que as pessoas santas existem, vivem entre nós e nos servem de exemplo. Da mesma maneira nós, jovens, esperamos que o Sede Santo sirva de exemplo para nós mesmos e para toda a nossa comunidade, mostrando que pequenas iniciativas podem contribuir imensamente para nossa vivência na fé e para nossa confiança, nos modos de agir e pensar, nos mandamentos do Evangelho. Portanto, jovens, esta é a oportunidade de darmos um novo passo em direção à santidade! Para que sejamos ponto de partida e sujeitos ativos de evangelização, o convite está feito: Sede santos!