"Trata-se de um alargamento do nosso conceito de razão e do seu uso. Porque, juntamente com toda a alegria face às possibilidades do homem, vemos também as ameaças que resultam destas mesmas possibilidades e devemos perguntar-nos como poderemos dominá-las. Consegui-lo-emos apenas se razão e fé voltarem a estar unidas duma forma nova; se superarmos a limitação autodecretada da razão ao que é verificável na experiência, e lhe abrirmos de novo toda a sua amplitude.(...)Ora, desde há muito tempo que o ocidente vive ameaçado por esta aversão contra as questões fundamentais da sua razão, mas o único resultado seria sofrer um grande dano. A coragem de abrir-se à vastidão da razão, e não a rejeição da sua grandeza – tal é o programa pelo qual uma teologia comprometida na reflexão sobre a fé bíblica entra no debate do tempo atual.«Não agir segundo razão, não agir com o logos, é contrário à natureza de Deus»(...)É a este grande logos, a esta vastidão da razão que convidamos os nossos interlocutores no diálogo das culturas. Reencontrá-la nós mesmos sempre de novo, é a grande tarefa da universidade."
Aula Magna na universidade de Regensburg*, 12 de setembro de 2006
Mais uma vez um Papa da Igreja vem chamar a atenção sobre a questão da razão ligada a fé. E Bento XVI vem nos chamar a atenção à nossa cegueira em relação ao uso redutivo desta palavra. Dizemos geralmente que razão é aquilo que se pode provar (cientificismo). E por isso muitos de nós até caímos no discurso que “razão” e “fé” são duas coisas distintas.
E o que somos? Somos muito mais que isso. Temos tantas dimensões que seria muito pouco falar que só algumas são razoáveis. Poderia você provar cientificamente que ama sua mãe? E alguém iria dizer que não é razoável dizer que ama a mãe porque não pode provar cientificamente?
Estamos cegos a essa riqueza toda. Por isso somos convidados então a alargar a nossa razão. E como fazer isso? Justamente se a juntarmos novamente a nossa fé. Porque a adesão total a Cristo abre nossos olhos a realidade em todos os seus aspectos. Por isso estamos juntos: para educar a nossa razão a um alargamento de seu conceito pleno e total e assim conseguir enxergar a nossa vida de uma forma muito mais bela e profunda. Por isso dizemos que aderir a Cristo é razoável ao homem: Porque na busca pela felicidade ele encontra ali a possibilidade de encontrar o que ele tanto busca: O sentido da vida.
Convido vocês a olharem a sua experiência e a verificar o quão razoáveis são essas palavras.
Grande Abraço
*O discurso citado foi aquele que a mídia fez um grande alarde e causou problemas com o mundo Islâmico. Indico a leitura toda do discurso para aqueles que buscam esclarecimento e ver que a crítica não foi ao Islã e sim a um método de conversão que não era justo.


4 comentários:
Mahalo disse...
Acredito que a reaproximação dos católicos com a razão seja o grande legado que Bento XVI nos deixará. Em sua encíclica, Deus é Amor, o Papa também falou da importância do pensamento racional afirmando que até o amor que une um casal deve passar pelo crivo da razão.
Não devemos nos guiar somente pela fé ou pelas emoções. Afinal de contas, nós somos seres racionais.
Biel e Mahalo,
Concordo com as colocações de vocês!
Aproveito para reafirmar que me alegro deamis por ver esse blog com uma participação tão rica para a nossa caminhada.
Espero que iniciativas como a do Beluga (de publicar citações relevantes do nosso Papa) sirvam de inspiração para todos nós!
Que promovamos a Paz e o Amor em nosso dia-a-dia sempre!
Aproveito para reproduzir os elogios do meu afilhado canadense Thiago ao nosso blog! Aguardamos um post dos gêmeos aniversariantes em breve!
Abraços, felicidades e PAZ DE CRISTO!
Foi muito boa a iniciativa da PJ para a criacao desse blog.
Espero que cada vez mais ele possa crescer, mostrando e compartilhando as experiencias da vida crista.
Abracos para todos e paz!
Enviar um comentário